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Duofarma · Guia técnico interativo para criadores

Guia Completo de Nutrição Equina

Um manual prático e interativo, baseado em literatura científica atual, para criadores do Sul do Brasil alimentarem seus cavalos com saúde, desempenho e segurança — do potro ao animal idoso.

12capítulos práticos
4ferramentas interativas
10plantas tóxicas mapeadas
RS · SC · PRfoco regional

Introdução

Por que a nutrição é a base de toda criação

Nenhuma genética, por melhor que seja, expressa seu potencial máximo sobre uma nutrição mal ajustada. No cavalo, essa relação é ainda mais direta: o aparelho digestivo equino evoluiu para o pastejo contínuo em campo aberto, e boa parte dos problemas que o criador enfrenta no dia a dia — cólica, laminite, úlcera gástrica, potros com desenvolvimento ósseo irregular, éguas que não emprenham — tem raiz, total ou parcial, no manejo alimentar.

Este guia foi organizado para o criador do Sul do Brasil: uma região com inverno frio e pastagens de estação fria (aveia, azevém), verão com pastagens tropicais (Tifton, campo nativo), tradição forte de cria de cavalo Crioulo e uso funcional do animal na lida campeira. As recomendações seguem a literatura técnica e científica de referência — o NRC Nutrient Requirements of Horses, publicações da Embrapa sobre forragicultura de clima temperado, e artigos de universidades e revistas brasileiras de zootecnia e medicina veterinária — traduzidas para a rotina de campo.

Como usar este guia

Use o sumário à esquerda (ou o menu ☰ no celular) para pular direto ao assunto que precisa. O Capítulo 7 tem seletor por fase de vida, e ao longo do guia você encontra ferramentas interativas: calculadora de água e forragem, avaliador de escore corporal, calendário forrageiro do Sul e galeria de plantas tóxicas.

Capítulo 1

Como o cavalo digere: a lógica por trás de toda dieta

O cavalo é um herbívoro monogástrico fermentador pós-gástrico. Isso significa duas coisas que mudam tudo na prática:

  1. O estômago é pequeno (8 a 15 litros em um animal de 500 kg) e produz ácido continuamente, mesmo sem alimento. O cavalo evoluiu para comer pequenas quantidades quase o dia inteiro — não para receber duas ou três grandes refeições.
  2. A digestão de fibra acontece no final do trajeto, no ceco e cólon (intestino grosso), por fermentação microbiana. É lá que bilhões de micro-organismos quebram a celulose do capim e do feno, gerando ácidos graxos voláteis que são a principal fonte de energia do animal em manutenção.
Trajeto do alimento no cavalo e implicações práticas
ÓrgãoO que aconteceImplicação para o criador
BocaMastigação e salivação (até 40 L de saliva/dia, tamponante do ácido gástrico)Dentes em dia = digestão melhor; forragem estimula mais saliva que ração
EstômagoÁcido clorídrico contínuo; esvazia rápidoNunca deixar o cavalo mais de 4-6h sem forragem
Intestino delgadoDigestão enzimática de amido, proteína e gorduraExcesso de grão de uma vez só "transborda" amido não digerido para o intestino grosso
Ceco e cólonFermentação microbiana da fibraMudanças bruscas de dieta desequilibram a microbiota → cólica e laminite
Atenção — o erro mais comum

Trocar bruscamente o tipo de pasto, o lote de feno ou a quantidade de ração é a causa evitável mais frequente de cólica e laminite no campo. Toda mudança de dieta deve ser feita ao longo de 7 a 10 dias, aumentando aos poucos a proporção do alimento novo.

Capítulo 2

Os 6 pilares de uma dieta equilibrada

Toda dieta equina — seja de potro, égua ou cavalo de lida — se resume ao equilíbrio entre estes seis elementos. Entender essa lógica evita depender só da marca da ração e permite ajustar a dieta ao que a propriedade realmente produz.

1Água30–60 L/dia, limpa e sempre disponível
2Fibra / ForragemBase da dieta: 1,5–2% do peso vivo em MS/dia
3EnergiaMede-se em Mcal; varia com idade e atividade
4ProteínaQualidade de aminoácidos, não só quantidade
5MineraisCálcio, fósforo, sódio, cobre, zinco, selênio
6VitaminasA, D, E e complexo B (parte sintetizada no intestino)

Regra de ouro: forragem primeiro

A forragem (pasto ou feno) deve representar, no mínimo, entre 60% e 100% da matéria seca total da dieta, dependendo da categoria animal. Concentrado (ração, grão) é complemento para cobrir o que a forragem não supre — nunca a base da dieta. Um cavalo adulto em manutenção, com boa pastagem, frequentemente não precisa de concentrado algum, apenas de sal mineral.

Capítulo 3

Água e eletrólitos: o nutriente mais negligenciado

Um cavalo de 500 kg em repouso, clima frio, consome entre 12 e 20 litros de água por dia; em clima quente ou trabalho, esse volume facilmente dobra. Trabalho moderado aumenta a necessidade em 60–80% sobre o repouso, e trabalho pesado pode elevá-la em mais de 100%.

  • Água suja, com algas ou parada (comum em açudes e bebedouros de "fonte" em invernadas) reduz o consumo voluntário e é fator de risco para cólica e infecções.
  • No inverno, cavalos bebem menos água gelada — oferecer água em temperatura levemente mais alta aumenta o consumo e ajuda a prevenir impactação.
  • Feno seco aumenta a necessidade de água em relação ao pasto verde, que já traz umidade embutida.
  • Eletrólitos (sódio, potássio, cloro) devem ser repostos em animais que suam bastante — trabalho intenso, transporte longo, dias muito quentes. Sal comum (cloreto de sódio) à vontade, em cocho separado, já cobre boa parte da necessidade de manutenção.

Calculadora de água e forragem diária

Estimativa orientativa a partir do peso e da categoria do animal.

Litros de água / dia
Kg de forragem (MS) / dia

Valores orientativos para estimativa de campo. Ajuste sempre com seu médico-veterinário conforme clima, atividade real e escore de condição corporal.

Capítulo 4

Forragem e pastejo no Sul do Brasil

O Sul do Brasil (RS, SC, PR) reúne cerca de 14 milhões de hectares de pastagem, com campo nativo predominante no Pampa gaúcho e estações bem marcadas — o que exige planejamento de forragem diferente do resto do país, com "vazio forrageiro" no inverno se a propriedade depende só de pastagem tropical.

Pastagens de inverno (maio a setembro)

Principais forrageiras de inverno usadas no Sul
EspécieCaracterísticasUso com equinos
Azevém (Lolium multiflorum)Crescimento rápido, resistente a geada, boa em solo pobreExcelente qualidade, cuidado com excesso de proteína/energia em animais propensos a laminite
Aveia pretaConsorciada com azevém, boa produção de massaMuito usada em consórcio para estender o período de pastejo
Aveia + azevém + ervilhacaConsórcio clássico gaúchoPasto de alto valor nutritivo (>20% PB) — bom para éguas lactantes e potros, moderar em animais obesos/EMS

Pastagens de verão (outubro a abril)

Principais forrageiras de verão usadas no Sul
EspécieCaracterísticasUso com equinos
Campo nativo (Pampa)Diversidade de espécies, menor exigência de manejo, base histórica da criação CrioulaMuito adequado ao Crioulo, que tem porte médio-baixo e menor consumo relativo de pasto que outras raças
Tifton 85Até 20 t MS/ha/ano, 16–20% de proteína bruta, boa digestibilidadeÓtima opção cultivada; respeitar intervalo de descanso de ~30 dias entre pastejos

Calendário forrageiro do Sul do Brasil

Selecione um mês para ver a recomendação de pastejo típica da região.

Feno como reserva estratégica

Nos períodos de transição (final do inverno, veranicos) e para animais estabulados, o feno de boa qualidade (sem mofo, sem poeira excessiva, cor esverdeada, cheiro adocicado) é a principal fonte de forragem. Regra prática: 1,5% a 2% do peso vivo em feno/matéria seca por dia para um adulto em manutenção (7,5 a 10 kg para um cavalo de 500 kg).

Atenção — solo arenoso e cólica de areia

Em áreas de solo arenoso (comuns em regiões litorâneas e banhados do Sul do Brasil) ou em pastagens muito rareadas/sobrepastejadas, o cavalo acaba ingerindo areia junto com o pasto curto, que se acumula no cólon e pode causar cólica por areia (arenite). Prevenção: nunca deixar o piquete "no toco", oferecer feno no cocho e não direto no chão arenoso, e usar psyllium periodicamente em áreas de risco conhecido, sob orientação veterinária.

Capítulo 5

Minerais e sal mineral: cobrindo o que o solo não dá

Os solos brasileiros, de forma geral, são naturalmente pobres em fósforo, e o capim reflete essa carência. Isso torna a relação cálcio:fósforo (Ca:P) um dos pontos mais importantes da dieta — o ideal fica entre 1:1 e 2:1 (mais cálcio que fósforo), e inversões dessa relação por longos períodos comprometem o desenvolvimento ósseo, especialmente em potros em crescimento.

  • Cálcio e fósforo: estrutura óssea. Leguminosas (ervilhaca, alfafa) são ricas em cálcio; grãos são ricos em fósforo — o equilíbrio entre pasto/feno e concentrado deve considerar essa relação.
  • Sódio, potássio e cloro: equilíbrio hídrico, contração muscular, função nervosa. Sal comum cobre grande parte da necessidade de sódio.
  • Cobre e zinco: essenciais para o desenvolvimento de cartilagem e ossos em potros e para a fertilidade de garanhões e éguas; deficiência está associada a doenças ortopédicas do desenvolvimento (DOD).
  • Selênio: em algumas regiões do Brasil o solo é deficiente, em outras há risco de excesso — vale analisar com o veterinário antes de suplementar pesado.
Recomendação prática

Ofereça sal mineral específico para equinos (não use sal mineral formulado para bovinos sem orientação — as proporções de cobre, por exemplo, diferem) em cocho coberto, à vontade, todos os dias do ano, para todas as categorias.

Capítulo 6

Suplementação: quando faz sentido e quando é desperdício

Suplemento não substitui uma dieta base bem construída — ele complementa o que a forragem, a água e o sal mineral já deveriam estar cobrindo. A primeira pergunta antes de comprar qualquer suplemento não é "qual é o melhor produto", e sim "o que a dieta atual já está entregando, e onde está o gargalo real".

Base

Vitamínico-mineral

Cobre o que a forragem e a ração base normalmente não suprem sozinhas — macro e microminerais e vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K).

Regra de ouro: calcule o que a dieta já fornece antes de somar suplemento — evita desequilíbrio por sobreposição.

Casco

Biotina

Vitamina B7, cofator na síntese de queratina. Melhora resistência do casco a rachaduras e quebras.

Atenção: resultado é lento — efeito perceptível costuma levar vários meses de uso contínuo, já que o crescimento do casco é gradual.

Articulações

Condroprotetores

Glucosamina (precursor de cartilagem) e condroitina (retém água, dá elasticidade) auxiliam na saúde articular.

Indicado para: cavalos de esporte, animais mais velhos ou com risco de osteoartrite. Dose sempre orientada por veterinário.

Intestino

Probióticos e prebióticos

Microrganismos vivos (ex.: Saccharomyces cerevisiae) e substratos que nutrem a microbiota já presente no ceco/cólon.

Indicado para: momentos de estresse à microbiota — troca de dieta, transporte, antibioticoterapia, prevenção de cólica/laminite associada.

Energia

Óleos (ômega 3/6)

Óleo de linhaça é o mais citado — rico em ômega-3, efeito anti-inflamatório, fonte calórica densa sem sobrecarga de amido.

Atenção: equilíbrio ômega-3/ômega-6 importa; excesso de óleo de soja/milho puro pende para o lado pró-inflamatório.

Atletas

Eletrólitos

Repõem sódio, potássio, cloro, cálcio e magnésio perdidos no suor — em exercício intenso a perda pode chegar a 10 L/hora de suor.

Indicado para: provas, treinos longos e dias muito quentes — não é rotina para cavalo de lazer/pasto.

Sal mineral não é a mesma coisa que suplemento mineral

Sal mineral fica em cocho de livre acesso e fornece principalmente sódio/cloro + minerais, com o próprio cavalo autorregulando o quanto consome. Suplemento mineral geralmente não contém sal comum e é dosado diretamente na ração. Um erro comum é misturar sal mineral forçadamente na ração em vez de deixá-lo separado — isso tira do animal a autorregulação da ingestão.

Erros mais comuns na suplementação

  • Suplementar sem calcular a base — adicionar produto sem checar o que a dieta já fornece, gerando desperdício ou desequilíbrio.
  • Confundir sal mineral com suplemento mineral, como se fossem substitutos um do outro.
  • Excesso "porque não faz mal" — vitaminas lipossolúveis e minerais acumulam no organismo e podem causar toxicidade.
  • Ignorar interações entre nutrientes (ex.: excesso de um mineral pode bloquear a absorção de outro, como cálcio/fósforo ou cobre/zinco).
  • Esperar efeito rápido de biotina ou condroprotetor e abandonar o produto antes do prazo real de resposta (meses).
  • Aplicar um "pacote padrão" para todo o plantel em vez de avaliar cada animal individualmente.
Capítulo 7

Nutrição por fase de vida

A dieta certa muda completamente conforme a categoria do animal. Selecione abaixo a fase do seu animal para abrir as recomendações específicas.

Potros e recria (0 a 24 meses)

É na fase de crescimento que se define grande parte do potencial ósseo, articular e muscular do animal adulto. Déficits ou excessos nutricionais nesta fase não se corrigem depois.

Pontos-chave

  • Do nascimento ao desmame (~4-6 meses), o leite da égua e, depois, um creep feeding balanceado (ração exclusiva para potros, em cocho que só o potro acessa) sustentam o crescimento.
  • Crescimento rápido demais (excesso de energia/amido) é tão prejudicial quanto a desnutrição: aumenta o risco de Doença Ortopédica do Desenvolvimento (DOD) — osteocondrose, epifisite, contratura de tendões.
  • Relação Ca:P e níveis adequados de cobre e zinco são críticos nesta fase — priorize rações formuladas especificamente para crescimento, não ração de manutenção de adulto.
  • Depois do desmame, evite trocas bruscas de pasto/ração; mantenha o crescimento estável e gradual, sem "arrancadas".
Capítulo 8

Escore de condição corporal (ECC): a régua de todo ajuste

Antes de aumentar ou reduzir qualquer dieta, avalie o escore de condição corporal (ECC) — escala de 1 (extremamente magro) a 9 (extremamente obeso), sendo 5 o ideal para a maioria dos cavalos adultos. É um método visual e por palpação, sem necessidade de equipamento, feito em seis pontos do corpo: pescoço, cernelha, costelas, atrás da espádua, lombo e base da cauda.

Avaliador interativo de escore corporal

Clique no número que mais se aproxima do seu animal.

Reavalie o ECC a cada 4 a 6 semanas, principalmente na transição de estações (entrada e saída do inverno, quando a disponibilidade de pasto muda bastante no Sul).

Capítulo 9

Plantas tóxicas para equinos no Sul do Brasil

Boa parte das intoxicações vegetais em cavalos acontece por pasto degradado, sobra de poda jogada no piquete ou contaminação de feno/ração — não por escolha do animal, que normalmente evita plantas tóxicas se tiver forragem boa disponível. Conhecer estas espécies ajuda a identificá-las na propriedade antes que virem um problema.

Se suspeitar de intoxicação

Sinais como apatia súbita, incoordenação, tremores, icterícia, dificuldade respiratória ou cólica associada a mudança recente de pasto/feno pedem contato imediato com o médico-veterinário. Não tente induzir vômito (o cavalo não vomita) nem administrar remédios caseiros.

Maria-mole (Senecio brasiliensis)
Risco alto

Maria-mole / Flor-das-almasSenecio brasiliensis

Toxina: Alcaloides pirrolizidínicos — dano hepático progressivo e cumulativo.

Sinais: Curso crônico — apatia, emagrecimento, icterícia, fotossensibilização, distúrbios neurológicos.

Onde: Pastagens degradadas e campos não cultivados; contaminação de feno é via clássica de intoxicação.

Imagem: Wikimedia Commons

Samambaia-do-campo (Pteridium aquilinum)
Risco moderado

Samambaia-do-campoPteridium aquilinum

Toxina: Thiaminase (destrói vitamina B1) e ptaquilosídeo.

Sinais: Síndrome neurológica por deficiência de tiamina — apatia, ataxia, marcha cambaleante; reversível se tratada a tempo.

Onde: Solos ácidos e arenosos, pastagens degradadas e beiradas de mata.

Imagem: Wikimedia Commons

Capim-sudão / Sorgo (Sorghum spp.)
Risco alto

Capim-sudão / SorgoSorghum spp.

Toxina: Glicosídeos cianogênicos (rebrota jovem) e compostos ligados à síndrome cistite-ataxia.

Sinais: Forma crônica clássica em equinos — incontinência urinária, cistite, incoordenação dos membros posteriores.

Onde: Pastagens cultivadas de sorgo/capim-sudão; risco maior em plantas jovens, geada ou seca.

Imagem: Wikimedia Commons

Mamona / Carrapateira (Ricinus communis)
Risco alto

Mamona / CarrapateiraRicinus communis

Toxina: Ricina, concentrada nas sementes — inibe a síntese proteica das células.

Sinais: Dor abdominal, diarreia sanguinolenta, desidratação, insuficiência hepática e renal.

Onde: Terrenos baldios, cercas e beira de estrada; sementes/torta contaminando ração é via documentada.

Imagem: Wikimedia Commons

Espirradeira (Nerium oleander)
Risco muito alto

EspirradeiraNerium oleander

Toxina: Glicosídeos cardiotônicos (oleandrina e outros) — mesmo pequenas quantidades são letais.

Sinais: Arritmia, colapso cardiovascular, morte súbita.

Onde: Planta ornamental comum em jardins e cercas-vivas — risco típico quando aparas de poda vão para o pasto.

Imagem: Wikimedia Commons

Cinamomo / Santa-bárbara (Melia azedarach)
Risco moderado

Cinamomo / Santa-bárbaraMelia azedarach

Toxina: Meliatoxinas, concentradas principalmente nos frutos.

Sinais: Incoordenação, tremores musculares, cólica, depressão; risco sazonal na queda de frutos (outono/inverno).

Onde: Árvore ornamental/sombra comum em beira de cercas e pastagens.

Imagem: Wikimedia Commons

Crotalária (Crotalaria spectabilis)
Risco muito alto

CrotaláriaCrotalaria spp.

Toxina: Alcaloides pirrolizidínicos, principalmente monocrotalina — necrose hepática progressiva.

Sinais: Anorexia, icterícia, sinais neurológicos hepatoencefálicos.

Onde: Usada como adubo verde em lavouras — contaminação de ração/silagem é a via mais perigosa e já causou mortes em massa em haras brasileiros.

Imagem: Wikimedia Commons

Mata-cavalo (Solanum sisymbriifolium)
Risco moderado

Mata-cavalo / Juá-de-pombaSolanum sisymbriifolium

Toxina: Solanina, concentrada nas sementes e frutos verdes.

Sinais: Distúrbios gastrointestinais; em casos graves, rigidez e espasmos.

Onde: Infestante espinhoso de pastagens degradadas e invernadas mal manejadas.

Imagem: Wikimedia Commons

Mandioca-brava (Manihot esculenta)
Risco muito alto

Mandioca-bravaManihot esculenta

Toxina: Glicosídeos cianogênicos — liberam ácido cianídrico ao romper o tecido da planta.

Sinais: Ação ultrarrápida — dispneia intensa, tremores, convulsões, morte súbita; animais às vezes encontrados mortos sem sinais prévios.

Onde: Ramas/folhas de descarte de roça oferecidas como forragem sem o preparo adequado (murchamento prévio).

Imagem: Wikimedia Commons

Mio-mio (Baccharis coridifolia)
Risco alto

Mio-mioBaccharis coridifolia

Toxina: Tricotecenos produzidos por fungos associados à raiz e acumulados pela planta.

Sinais: Curso agudo — morte em até 48h após início dos sinais; mais tóxica durante a floração.

Onde: Fronteira Oeste do RS, também em SC e PR; campos nativos pouco manejados.

Imagem: Wikimedia Commons

Nenhuma planta encontrada para esse filtro.

Imagens meramente ilustrativas (Wikimedia Commons, licenças abertas) — servem de apoio inicial ao reconhecimento; em caso de dúvida sobre uma planta na sua propriedade, consulte um engenheiro agrônomo ou veterinário local.

Capítulo 10

Problemas nutricionais mais comuns — e como evitá-los

Cólica

A causa mais comum de cólica evitável é a mudança brusca de dieta ou de pasto. Outras causas nutricionais frequentes: água insuficiente ou de má qualidade, feno mofado, excesso de concentrado em uma única refeição, e jejum prolongado.

Cólica de areia (arenite)

Comum em piquetes de solo arenoso ou muito sobrepastejados (pasto rareado obriga o cavalo a "raspar" o solo). Sinais: cólicas leves recorrentes, diarreia intermitente, perda de peso, baixo desempenho. Prevenção: manter altura mínima de pasto, oferecer feno em cocho elevado (nunca no chão arenoso), e conversar com o veterinário sobre uso preventivo de psyllium em propriedades de risco conhecido.

Laminite e Síndrome Metabólica Equina (SME)

A laminite (inflamação das lâminas do casco, extremamente dolorosa e por vezes incapacitante) está fortemente associada à obesidade e à resistência à insulina — quadro conhecido como Síndrome Metabólica Equina. Sinais de alerta: acúmulo de gordura regional (pescoço, base da cauda), dificuldade para emagrecer, episódios recorrentes de claudicação/desconforto nos cascos.

  • Prevenção: controle rigoroso de carboidratos não estruturais (evitar pasto muito adubado/estressado — que acumula açúcares — em horários de pico, geralmente à tarde; restringir pasto de rebrota tenra em animais de risco), exercício regular e manutenção do ECC entre 4 e 6.
  • Casqueamento periódico correto e ajuste de dieta caminham juntos no manejo.

Úlcera gástrica (EGUS)

Como o estômago do cavalo produz ácido continuamente, longos períodos sem forragem (mais de 4-6h), dietas com pouca fibra e muito concentrado, estresse, confinamento e uso de anti-inflamatórios são os principais fatores de risco. Sinais: cólicas recorrentes leves, bruxismo (ranger de dentes), perda de peso progressiva, queda de desempenho.

  • Prevenção: forragem disponível o dia todo (ou o mais próximo disso), fracionar concentrado em várias refeições pequenas, e minimizar tempo de jejum antes de transporte ou provas.

Obesidade

Cada vez mais comum em cavalos de lazer e reprodutores com pouca atividade em pastagens ricas (como as de inverno no Sul). Além do risco de laminite, compromete fertilidade de éguas e garanhões e sobrecarrega articulações.

Doença Ortopédica do Desenvolvimento (DOD) em potros

Grupo de alterações (osteocondrose, epifisite, contraturas) ligadas a desequilíbrios de energia, proteína, cálcio, fósforo, cobre e zinco durante o crescimento — tanto por excesso quanto por deficiência. Reforça a importância de usar ração específica para categoria de crescimento, e não "esticar" ração de adulto para potros.

Capítulo 11

Checklist de boas práticas de manejo alimentar

  • Forragem disponível a maior parte do dia — nunca mais de 4 a 6h de jejum.
  • Qualquer troca de pasto, feno ou ração feita de forma gradual, ao longo de 7 a 10 dias.
  • Água limpa, fresca e sempre disponível; bebedouros higienizados regularmente.
  • Sal mineral específico para equinos, à vontade, o ano inteiro.
  • Concentrado fracionado em pelo menos 2 refeições/dia, nunca em quantidade única e grande.
  • Escore de condição corporal avaliado a cada 4-6 semanas, com ajuste de dieta conforme resultado.
  • Dieta específica por categoria: potro, gestante, lactante, atleta e idoso não comem a mesma coisa.
  • Piquetes com altura mínima de pasto mantida, evitando sobrepastejo e ingestão de solo/areia.
  • Feno e ração armazenados secos, protegidos de mofo e roedores.
  • Calendário forrageiro planejado com antecedência para cobrir o vazio de inverno (transição para aveia/azevém antes que o campo nativo perca qualidade).
Capítulo 12

Perguntas frequentes

Nenhuma pergunta encontrada para esse termo.

Meu cavalo em campo nativo precisa de ração?

Nem sempre. Um adulto saudável, em manutenção, com boa disponibilidade de campo nativo de qualidade e sal mineral, pode se manter apenas com pasto. Ração/concentrado entra quando o animal não sustenta o escore corporal ideal (ECC 5) só com forragem, ou em fases de maior exigência (crescimento, gestação final, lactação, trabalho intenso).

Posso usar sal mineral de gado para cavalo?

Não é recomendado. As formulações de bovinos costumam ter proporções de cobre inadequadas para equinos (podem ser insuficientes) e nem sempre atendem às exigências específicas da espécie. Prefira sempre um sal mineral formulado para equinos.

Quantas vezes por dia devo alimentar meu cavalo?

Forragem: o ideal é acesso quase contínuo (pasto ou feno disponível a maior parte do dia). Concentrado: fracionar em no mínimo 2 a 3 refeições pequenas, nunca uma única refeição grande, para respeitar a capacidade do estômago e reduzir risco de cólica e úlcera.

Como sei se meu campo tem "vazio forrageiro" no inverno?

Sinais práticos: queda visível na altura e densidade do campo nativo a partir de maio/junho, cavalos perdendo escore corporal mesmo sem aumento de trabalho, e pasto com aspecto seco/amarelado. A resposta tradicional no Sul é a sobressemeadura de aveia e azevém, iniciada com antecedência (geralmente entre março e maio, conforme a região).

Pasto de inverno muito "adubado" pode fazer mal?

Pode, principalmente para animais com histórico de laminite, obesidade ou Síndrome Metabólica Equina. Pastagens de rebrota tenra e bem adubadas acumulam mais açúcares (carboidratos não estruturais), especialmente em dias frios e ensolarados. Nesses casos, restrinja o tempo de pastejo ou use cerca elétrica/focinheira, sob orientação veterinária.

Este guia substitui a avaliação de um médico-veterinário?

Não. Este material é educativo e serve como referência geral de manejo. Cada propriedade, piquete e animal tem particularidades (histórico de saúde, resultado de análise de solo/pasto, genética) que só uma avaliação individual, presencial, pode captar. Use este guia para conversar com informação com seu veterinário, não para substituí-lo.

Glossário

Matéria seca (MS)
Peso do alimento descontada a água — base usada para calcular quantidades de dieta.
ECC
Escore de Condição Corporal, escala de 1 a 9 para avaliar reservas de gordura.
EGUS
Síndrome da Úlcera Gástrica Equina (Equine Gastric Ulcer Syndrome).
SME
Síndrome Metabólica Equina — resistência à insulina associada a obesidade e risco de laminite.
DOD
Doença Ortopédica do Desenvolvimento — alterações ósseas/articulares em potros ligadas a desequilíbrios nutricionais durante o crescimento.
Carboidratos não estruturais (CNE)
Açúcares e amidos rapidamente fermentáveis, presentes em grãos e em pastagens estressadas/adubadas; relevantes no manejo de laminite.
Sobressemeadura
Técnica de semear espécies de inverno (aveia, azevém) sobre pastagem de verão já estabelecida, para manter oferta de forragem no frio.

Referências e fontes consultadas

Este guia foi elaborado a partir de literatura técnica e científica pública, incluindo:

  • National Research Council (NRC) — Nutrient Requirements of Horses, 6ª edição revisada.
  • Embrapa Clima Temperado — publicações técnicas sobre forrageiras de clima temperado e forragicultura no Rio Grande do Sul.
  • Sociedade Brasileira de Zootecnia — Revista Brasileira de Zootecnia, artigos sobre fibra e fermentação em equinos.
  • Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Crioulo — dados sobre distribuição regional do rebanho.
  • Artigos técnico-científicos de universidades brasileiras (UFPR, UFPB, UFMG, UFPel, entre outras) sobre nutrição, cólica de areia, laminite, síndrome metabólica equina e úlcera gástrica em equinos.

Este é um guia de divulgação técnica; para citação acadêmica, consulte as publicações originais.

Sobre quem fez este guia

A Duofarma

A Duofarma nasceu no final de 2022 em Passo Fundo/RS, com o objetivo de oferecer soluções veterinárias com mais agilidade, confiança e responsabilidade para quem vive o dia a dia do campo. A empresa surgiu de uma necessidade real do agronegócio: quando um animal precisa de cuidado, não há tempo a perder.

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